31 de agosto de 2008

30 de agosto de 2008

RECONSTRUINDO JESUS?!?

Tava demorando... Volta e meia, como os leitores deste blog bem sabem, as ditas revistas de divulgação científica populares do nosso país se aventuram por um terreno que não lhes pertence e dão lá seus escorregões. No afã de produzir capas vendedoras, não passa um ano sem que se aproveitem da pessoa de Jesus ou do cristianismo para produzir matérias tremendamente especulativas e tendenciosas.

Em sua edição de setembro, a revista Galileu trouxe como matéria principal a reportagem “CSI de Jesus”. Desta vez, foram mais amenos do que quando publicaram a matéria “Distorceram as palavras de Jesus?” (a qual comentei na postagem “Galileu distorce fatos sobre a Bíblia”, mas esse novo texto também tem lá suas incoerências e inverdades.


Logo de cara, a matéria afirma que Jesus “não tem data de nascimento ou morte registrada com segurança... Não deixou nada escrito de próprio punho (há até quem argumente que ele provavelmente era analfabeto). Não restou um único artefato do qual se possa dizer com certeza que pertenceu a ele. Os relatos de seus seguidores, escritos entre duas e seis décadas após a morte na cruz, falam com riqueza de detalhes de um período curtíssimo de sua vida adulta, elencando seus atos e ensinamentos, mas nos deixam no escuro sobre a maior parte de sua infância e adolescência, suas angústias pessoais e seu relacionamento com amigos e familiares”.


A verdade é que, para os que estudam a fundo a vida de Jesus e a cronologia bíblica, a data da morte do Mestre é bem conhecida (confira aqui). Quanto à alegação de que Ele poderia ser analfabeto, basta lembrar que Jesus escreveu com Seu dedo na areia os pecados dos homens que queriam apedrejar a mulher adúltera. Se esse pessoal lesse a Bíblia com mais atenção... Outra coisa: é bom lembrar que os evangelhos não são a biografia completa de Jesus (João mesmo admite isso no fim do seu evangelho [cf. João 21:25]). Eles tratam do que é essencial à salvação de todo aquele que aceita Jesus, portanto, focalizam o nascimento sobrenatural, o ministério, a morte e a ressurreição de Cristo.


A matéria de Galileu prossegue: “O chamado Jesus histórico é uma figura humilde, que coloca sua mensagem – o anúncio da chegada do Reino de Deus – acima de qualquer preocupação com sua própria importância. Não se comporta como uma entidade superpoderosa ou onisciente. E coloca em primeiro lugar a história e o destino do povo de Israel, ao qual pertence. É um Jesus que pode ajudar os cristãos a repensarem a origem de sua própria fé – mas dificilmente é uma ameaça a ela, a menos que se acredite que todo versículo dos Evangelhos é verdade literal, como se fosse um filme do que aconteceu no ano 30 d.C.”


Jesus Se tornou humilde, sim, para alcançar os humildes. Velou Sua divindade para andar com os pecadores e oferecer-lhes a salvação. Com isso, revelou o caráter misericordioso do Deus todo-poderoso. A afirmação de que os evangelhos não se tratam de “verdade literal” fica por conta da Galileu, que, no entanto, não pode provar isso.


Um dos principais entrevistados na matéria de Galileu é (pra variar) André Leonardo Chevitarese, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Chevitarese, figura sempre presente nesse tipo de reportagem (será que é porque diz o que esse tipo de mídia quer ouvir?), afirma: “Em todo o mundo romano, o costume era abandonar o cadáver na cruz, para ser comido por abutres ou cães.” Ele também diz ser suspeita a figura de José de Arimatéia, judeu rico e simpatizante de Jesus que teria obtido Seu corpo e organizado o sepultamento, segundo os Evangelhos. “Camponeses como os seguidores de Jesus não teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo. Assim, os evangelistas têm o problema de explicar o sepultamento de Jesus e usam a figura de Arimatéia, que praticamente cai de pára-quedas na narrativa”, diz o historiador, que não explica o fato de que seria muito fácil para os judeus da época e mesmo para Pilatos contradizerem o relato dos discípulos, caso Arimatéia fosse mesmo um mito. Os evangelistas teriam armado uma armadilha para si mesmos e o cristianismo seria facilmente desmentido em sua origem. Mas não foi o que aconteceu porque ninguém pôde desmentir o relato histórico das testemunhas oculares de Jesus.


Aspectos positivos da reportagem
Como disse no início, essa reportagem é um tanto mais amena que outras publicadas pela Galileu e tem aspectos positivos, como a divulgação do registro de um crucificado judeu que teve um sepultamento digno – Yehohanan (João), filho de Hagakol, cujo ossuário foi descoberto por arqueólogos israelenses em 1968 (detalhe: o osso do calcanhar de Yehohanan ainda continha o cravo usado para pregá-lo na cruz). Essa descoberta mostra que era perfeitamente possível que Jesus também tivesse um sepultamento digno, apesar de Sua origem humilde e da morte humilhante na cruz.


Outra admissão interessante, nem sempre vista nesse tipo de reportagem: “Viciados em teorias da conspiração adoram a idéia: Jesus nunca teria existido. As histórias sobre sua vida, morte e ressurreição seriam mera colagem de mitos egípcios e babilônicos, com pitadas do Antigo Testamento para dar um saborzinho judaico. Na prática, Cristo não seria mais real do que Osíris ou Baal, deuses mitológicos que também morreram e ressuscitaram. No entanto, para a esmagadora maioria dos estudiosos, sejam eles homens de fé ou ateus, a tese não passa de bobagem. A figura de Jesus pode até ter ‘atraído’ elementos de mitos antigos para sua história, mas temos uma quantidade razoável de informações historicamente confiáveis, englobando pistas de fontes cristãs, judaicas e pagãs.


“Começamos, no Novo Testamento, com as cartas de São Paulo, escritas entre 20 e 30 anos após a crucificação do pregador de Nazaré. Cerca de 40 anos depois da morte de Jesus, surge o Evangelho de Marcos, o mais antigo da Bíblia; antes que o século 1 terminasse, os demais Evangelhos alcançaram a forma que conhecemos hoje. A distância temporal, em todos esses casos, é mais ou menos a mesma que separava o historiador Heródoto da época da guerra entre gregos e persas, que aconteceu entre 490 a.C. e 480 a.C. – e ninguém sai por aí dizendo que Heródoto inventou Leônidas, o rei casca-grossa de Esparta.


“Outra fonte crucial é Flávio Josefo, autor de Antiguidades Judaicas, também do século 1. O texto sofreu interferências de copistas cristãos, mas é possível determinar sua forma original, bastante neutra: Jesus seria um ‘mestre’, responsável por ‘feitos extraordinários’, crucificado a mando de Pilatos, cujos seguidores ainda existiam, apesar disso. Duas décadas depois, o historiador romano Tácito conta a mesma história básica, precisando que Jesus tinha morrido na época de Pilatos e do imperador Tibério (duas referências que batem com o Novo Testamento). Esses dados mostram duas coisas: a historicidade de Jesus e também sua relativa desimportância diante das autoridades romanas e judaicas, como um profeta marginal num canto remoto e pobre do Império Romano.”


A matéria cita também John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame (EUA) e autor série de livros $sobre o Jesus histórico. Méier diz que Jesus resume e mistura o espiritual, o social e o político na frase-chave de Seu anúncio profético: o “Reino de Deus”. “[Jesus] não estava pregando a reforma do mundo; estava pregando o fim do mundo”, escreve o autor.

Outra escorregada


A certa altura, o texto da Galileu afirma que “é bem mais complicado afirmar se, durante sua vida terrena, Cristo considerava ser Deus encarnado, como defende o dogma cristão, ou mesmo se ele tinha consciência plena de que sua morte na cruz serviria para redimir a humanidade. ... Como judeu, seria impensável para Jesus se colocar publicamente como igual a Deus, afirma Luiz Felipe Ribeiro.”
De fato, seria “impensável”, tanto é que, quando Jesus afirma ser o “Eu Sou” (cf. Êxodo 3:14), os judeus tentam apedrejá-lo por blasfêmia (cf. João 8:56-59). Em diversas ocasiões Jesus deixou claro ou deu a entender que era divino. Por exemplo: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30); “Glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo” (João 17:5). Ele também perdoava pecados, um atributo divino, segundo a Bíblia. Se isso não é afirmação de divindade, o que é?
Apócrifos: muito barulho por nada


A reportagem termina com alguns comentários interessantes sobre textos que a própria mídia já usou muito para vender e especular: os apócrifos. “Para especialistas, esses escritos perdem importância quando se constata que eles tiveram como base os Evangelhos canônicos e seguiram o gnosticismo. ... Há pesquisadores que vasculham esses livros, muitos dos quais em estado fragmentário, em busca de informações valiosas que não teriam sido preservadas (ou teriam sido deliberadamente varridas para debaixo do tapete) pelos evangelistas oficiais. O esforço vale a pena? O mais provável é que não. ... O argumento de Meier é simples: é praticamente impossível demonstrar que os evangelhos apócrifos mais populares entre os historiadores, como o de Tomás e o de Pedro, não tenham, na verdade, usado como base os Evangelhos canônicos, os bons e velhos Mateus, Marcos, Lucas e João. Estruturas literárias básicas, como a ordem dos ditos de Jesus, parecem seguir de perto os textos canônicos.


Além disso, a datação dos apócrifos aponta para uma composição décadas ou até séculos depois dos Evangelhos oficiais. E há alguns detalhes teológicos suspeitos nas narrativas apócrifas: muitos deles seguem o chamado gnosticismo, uma vertente esotérica do cristianismo primitivo que considerava o mundo material uma esfera corrompida e naturalmente ruim da existência e pregava o acesso a um conhecimento secreto para se libertar dele. A importância do apóstolo Tomé ou de Maria Madalena nos textos gnósticos provavelmente não tem a ver com o papel histórico desses personagens, mas com o uso deles como contraponto aos sucessores de apóstolos como Pedro e Paulo, principais líderes das comunidades cristãs após a morte de Jesus.”


CSI (sigla usada no título da matéria da Galileu), em inglês, significa Crime Scene Investigation. Creio que o maior “crime” da mídia tem sido o de não reconhecer – embora de vez em quando esbarrem nos fatos – que Jesus foi mais do que um simples judeu marginal: Ele é o Salvador do mundo, que mudou a História e quer fazer mais do que isso – quer mudar o coração das pessoas com Sua mensagem de esperança.

18 de agosto de 2008

ESTOU CANSADO DISSO, E VOCÊ?

A Igreja atualmente passa por um momento onde a centralidade desviou-se de Cristo, a igreja atual deixou o Teocentrismo das escrituras e se voltou para o homem e suas necessidades.

Uma grande semelhança à Igreja da Idade Média é percebida na Igreja do Século XXI: os velhos dogmas do Catolicismo foram substituídos por dogmas evangélicos; a tradição da Igreja Romana é substituída pela tradição imposta pela Teologia Relativista de nossa época, o velho sacerdote da Igreja Romana é substituído pelos "ungidos de Deus" de nossos dias.

O culto e serviço da Igreja não estão centralizados em Deus, dando a Ele louvor e honra e a gloria que lhe é devido, por sua imensa graça e amor para com nós homens miseráveis e pecadores, mas esta centralizada no próprio homem, em suas necessidades e desejos carnais, os quais desejam mais os bens deste mundo vil do que as riquezas da glória do Deus eterno.

Os cultos e sermões da Igreja atualmente estão recheados de expressões do tipo, "hoje sua benção vai chegar" ou "tome posse da vitória", ao final de cada culto após uma mensagem carregada de emocionalismo e carnalidade, centralizada no homem um apelo é feito, não por decisões por Cristo, até porque o centro das mensagens não é Cristo o Salvador, mas um cristo o curandeiro o deus o gênio da lâmpada, mas um apelo para que aqueles que desejam receber a oração do "ungido" venham até a frente crendo, "porque se não acontecer nada a falta de fé do fiel" para que o deus lhes de a tão esperada benção, o interessante é que as mesmas pessoas que foram domingo passado estão lá novamente.... "pão e circo" será mera semelhança?

Pragmatismo, legalismo, farisaísmo, egoísmo e uma apatia espiritual jamais vista, são as características predominantes na igreja cristã atual. Não culpo os fiéis destas Igrejas, pois desde o inicio de sua caminhada cristã estão sendo condicionados à esta ignomínia espiritual; o sacerdócio individual de cada crente novamente foi substituído pela dependência dos "ungido de Deus". Os fiéis são condicionados a viverem somente com leite, enquanto o alimento sólido é escondido, somente os "mestres" têm acesso e são aptos para compreender.
"Eclésia Reformata, Reformanda Est", a Reforma não pára! Deus pela Sua providência sempre levantou Reformadores e no Velho Testamento temos vários exemplos, Esdras, Neemias...; no Novo Testamento, João Batista, o apóstolo Paulo e o próprio Senhor Jesus Cristo..., os Pré-Reformadores do séc. XII, no século XV e XVI Reformadores como Lutero, Calvino, João Knox, os Puritanos dos séculos posteriores foram Reformadores e certamente em nossos dias o Senhor tem levantado Reformadores. É muito bom lembrarmos do legado dos Cristãos Reformados do passado, mas também é preciso olhar para Igreja atualmente e termos consciência que ela precisa prosseguir se moldando ao padrão perfeito das Escrituras, precisamos orar para que Deus tenha misericórdia da Igreja Contemporânea e sustenha Reformadores para a Igreja atualmente.

Precisamos redescobrir a doutrina do sacerdócio individual de cada crente e a necessidade de batalharmos pela fé e a sã doutrina, ou seremos testemunhas de outro período negro da História da Igreja, pois ela esta caminhando a passos largos em direção oposta ao caminho proposto pelas Escrituras. Que Deus tenha misericórdia de nós !!!!

Autor: Gilberto Sampaio
Fonte:
http://br.groups.yahoo.com/group/fundamentalismo_biblico/message/195

17 de agosto de 2008

DEUS NÃO ESTÁ MORTO AINDA

Como os filósofos contemporâneos argumentam em favor de sua existência.
Por William Lane Craig
Tradução: Wagner Kaba


Você pode pensar, devido à atual enchente de best-sellers ateístas, que a crença em Deus se tornou intelectualmente indefensável para as pessoas pensantes modernas. Mas uma olhada nos livros de Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens, entre outros, revela rapidamente que o tão chamado Novo Ateísmo carece de músculos intelectuais. Ele é alegremente ignorante acerca da revolução que tomou lugar na filosofia Anglo-Americana. Ele reflete o cientificismo de uma geração passada ao invés do panorama intelectual contemporâneo.


O alto ponto cultural daquela geração chegou em 8 de Abril de 1966, quando a revista Time publicou uma reportagem principal cuja capa era completamente preta, exceto pelas trës palavras decoradas em letras vermelhas brilhantes: “Deus está morto?”. A reportagem descrevia o movimento da “morte de Deus”, então corrente na teologia Americana.


Mas, parafraseando Mark Twain, as notícias sobre o falecimento de Deus foram prematuras. Pois ao mesmo tempo em que teólogos escreviam o obituário de Deus, uma nova geração de jovens filósofos estavam descobrindo sua vitalidade.


Na década de 40 e 50, muitos filósofos acreditavam que falar sobre Deus, visto que não se pode verificá-lo pelos cinco sentidos, é sem sentido — um verdadeiro nonsense. Este verificacionismo finalmente desmoronou, em parte porque os filósofos perceberam que o verificacionismo em si não podia ser verificado! O colapso do verificacionismo foi o evento filosófico mais importante do século XX. Sua queda significava que os filósofos estavam livres mais uma vez para cuidar de problemas tradicionais da filosofia que o verificacionismo havia suprimido.Junto com a ressurgência do interesse nas questões filosóficas tradicionais, apareceu algo completamente inesperado: o renascimento da filosofia Cristã.


O ponto de virada provavelmente surgiu em 1967, com a publicação de God and Other Minds: A Study of the Rational Justification of Belief in God (Deus e Outras Mentes: Um Estudo sobre a Justificação Racional da Crença em Deus), escrito por Alvin Plantinga. Nos passos de Plantinga, seguiram-se uma mutidão de filósofos Cristãos, escrevendo em jornais acadêmicos, participando de conferências profissionais e publicando nas melhores editoras acadêmicas. A cara da filosofia Anglo-Americana tem sido transformada, como resultado. O ateísmo, embora talvez ainda seja o ponto de vista dominante na academia Americana, é uma filosofia em retirada.


Em um artigo recente, o filósofo Quentin Smith, da Universidade de Western Michigan, lamenta o que ele chama de “desecularização da academia que evoluiu na filosofia desde os fins da década de 60.” Ele reclama sobre a passividade dos naturalistas em face da onda dos “teístas inteligentes e talentosos que estão entrando na academia atualmente.” Smith conclui, “Deus não está ‘morto’ na academia; ele retornou à vida no final da década de 60 e agora está vivo e passa bem em sua última fortaleza acadêmica, os departamentos de filosofia.”


O renascimento da filosofia Cristã tem sido acompanhada por um ressurgimento do interesse na teologia natural, o ramo da teologia que procura provar a existência de Deus sem recorrer à revelação divina. O objetivo da teologia natural é justificar uma cosmovisão teísta ampla, uma que seja comum a Cristãos, Judeus, Muçulmanos e deístas. Enquanto poucos os chamariam de provas cogentes, todos os tradicionais argumentos para a existência de Deus, para não mencionar alguns novos argumentos criativos, encontram articulados defensores atualmente..
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O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA

Entrevista com Augustus Nicodemus para a revista Seu Mundo, da Editora Mundo Cristão sobre o livro O que estão fazendo com a igreja, de sua autoria, que será lançada em agosto pela Mundo Cristão. O livro é uma coletânea de posts publicados por Augustus aqui no blog O Tempora, O Mores.

MC - O que estão fazendo com a igreja é um compêndio de diversos textos escritos ao longo dos últimos anos. Assim sendo, como foi o processo de escolher aqueles que comporiam o livro?
AN
- Escolhi usando alguns critérios. Primeiro, a relevância para a situação da igreja evangélica no Brasil. Segundo, pela abrangência. Eu queria um livro com textos que tocassem nos principais segmentos da igreja brasileira. E por fim, escolhi aqueles que provocaram um número maior de respostas e participação no site da Internet onde foram publicados


MC - Qual foi o objetivo principal por detrás da publicação de uma obra potencialmente tão controversa?
AN
- Exatamente provocar a reflexão por parte dos evangélicos brasileiros sobre o estado atual da igreja, que considero alarmante. Ao mesmo tempo, identificar as causas por detrás dessa situação e defender que a manutenção da fé histórica da igreja de Cristo teria evitado que chegássemos a esse ponto.


MC - O livro trata bastante da delimitação de crescentes falhas nas igrejas brasileiras. Quais seriam as principais destas falhas?
AN
- A ressurreição do liberalismo teológico nas instituições teológicas de ensino, a adoção de práticas místicas e supersticiosas no culto a Deus, o aparecimento de uma liderança auto-intitulada que usurpa poderes apostólicos e o abandono crescente do conceito de verdade absoluta em troca da aceitação do conceito de que a verdade sempre é relativa. No outro lado do espectro, encontramos a incapacidade dos conservadores e das igrejas históricas de fazerem suas igrejas crescer no ritmo compatível com o tamanho do Brasil.


MC - Podemos sintetizar essas carências a uma causa maior?
AN - No fundo, quase tudo isso é causado pelo abandono das antigas doutrinas e crenças do Cristianismo histórico, a começar pelo conceito da autoridade das Escrituras e sua suficiência e exclusividade em matérias de fé e prática. Na hora que os evangélicos passaram a adotar também como fonte de autoridade as experiências pessoais, revelações, visões, e a chamada ciência bíblica, perderam o referencial das Escrituras e abriram as portas da igreja brasileira para a entrada, sem crítica e sem análise, de toda sorte de ensinamentos e práticas, bem como para oportunistas que vêem o pastorado e a igreja como negócio e meio de vida.


MC - O que estão fazendo com a igreja trata bastante da esmorecida credibilidade da igreja brasileira, algo que seria um sinal da sua iminente ruína. A ação de certas partes da igreja realmente pode afetá-la assim tão profundamente, como um todo?
AN - Não creio que a igreja de Cristo esteja próxima da ruína. As palavras de Jesus em Mateus 16 nos garantem a sua continuidade. O que acredito que está em profunda crise é a igreja evangélica brasileira. Aquilo que os meios de comunicação e a mídia em geral identificam como sendo os “evangélicos” e que representam, de longe, a maior parte dos protestantes no Brasil, está ficando cada vez mais distante do cristianismo bíblico.


MC - O livro procura não só delinear, como também agrupar as doutrinas de liberais, neo-ortodoxos, libertinos e neo-pentecostais, em uma “esquerda teológica”. Qual é a idéia por trás deste agrupamento?
AN
- Esses grupos, embora distintos, defendem algumas coisas em comum na área da sexualidade humana e da ética, como a homossexualidade e o aborto – que são também pontos da agenda da esquerda política no Brasil. Também se caracterizam pela defesa da relativização dos conceitos, inclusive teológicos. Todavia, como eu mesmo disse na introdução ao livro, não estou certo se “esquerda teológica” é um bom nome para caracterizar esses grupos.


MC - Muitos diriam que as novas tendências do pensamento teológico estão reforçando a igreja, expandindo-a de uma maneira nunca antes vista. O que estão fazendo com a igreja discorda. Por quê?
AN
- Porque não se pode pensar em reforço da igreja quando instituições de ensino teológico, teólogos e pastores adotam a mesma teologia e os mesmos métodos liberais de interpretação da Bíblia que fecharam as igrejas da Europa. Se fecharam as igrejas da Europa, o que os faz pensar que não farão o mesmo aqui? Além disso, passando para o campo neo-pentecostal (já que liberais nunca fizeram a igreja crescer mesmo), lembro que expansão não é necessariamente sinal de saúde e vitalidade espiritual. Existe crescimento e inchaço. O primeiro é fruto da pregação, ensino e divulgação das verdades bíblicas. É aquele crescimento encontrado no livro de Atos, onde é freqüentemente igualado ao crescimento da Palavra (Atos 6:7; 12:24; 19:20). É o aumento da igreja mediante a conversão genuína de pessoas que acolheram a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, tendo reconhecido seu próprio estado de perdição e culpa. Já o inchaço, é um acréscimo de pessoas que vieram às igrejas por outros motivos, como receber uma bênção material, serem curadas, ter um emprego, resolver um problema amoroso, acabar com o azar na vida delas, serem libertas, etc. Multidões assim lotam as igrejas evangélicas todos os dias. Todavia, quase nunca são confrontadas com seu estado de pecado e rebelião contra Deus, quase nunca ouvem falar da necessidade de arrependimento e mudança de vida para terem a vida eterna, e raramente ouvem que a salvação e o perdão de pecados é pela graça, mediante a fé, sem as obras da lei e sem quaisquer outros sacrifícios. O que se tem hoje é uma religião das obras, dos sacrifícios, onde a graça é esquecida.


MC - Afinal, o que está acontecendo com a igreja?
AN-
Esse é o ponto do meu livro: estão em operação dentro da igreja de hoje forças poderosas que a encaminham para uma descaracterização radical como igreja evangélica. Em muitos casos ela está revertendo a uma situação semelhante ao misticismo medieval e do catolicismo romano, do qual a igreja evangélica já se achava liberta. Algo muito parecido com o que Paulo Romeiro e outros vêm alertando há décadas. Meu livro se junta a essas vozes numa tentativa de contribuir para uma reflexão nossa sobre o assunto.

9 de agosto de 2008

Wallpaper DUNAMIS



CLICK NA IMAGEM E DEPOIS QUE ABRIR UMA OUTRA JANELA
CLICK COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E SALVE A IMAGEM NA ÁREA DE TRABALHO DO SEU COMPUTADOR
DEPOIS COLOQUE COMO PAPEL DE PAREDE

3 de agosto de 2008

INFORMATIVO DUNAMIS JULHO DE 2008

ESTA É A CAPA DO INFORMATIVO DUNAMIS
DO MÊS DE JULHO DE 2008.

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